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Enfermagem requer melhores condições de trabalho

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A Enfermagem no Brasil precisa de cuidados.

A maior força de trabalho do setor saúde no país, que representa 50% dos 3,5 milhões de trabalhadores da referida área, apresenta condições de subjornada de trabalho, subsalários e subemprego. A constatação é da mais ampla pesquisa sobre essa categoria profissional já realizada na América Latina, a Perfil da Enfermagem no Brasil. Lançado em 6 de maio, em Brasília, o estudo aponta desgaste em 66% dos profissionais, dificuldade de encontrar emprego nos últimos 12 meses (66%) e situações de falta de respeito e cordialidade dos pacientes e familiares usuários do sistema de saúde. No Dia Internacional da Enfermagem, a pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz, por intermédio da ENSP, e Conselho Federal dos Enfermeiros destaca a necessidade de valorização do profissional da enfermagem no país.
 
O estudo foi coordenado pela pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz) Maria Helena Machado e apresentou as características da profissão com base na identificação socioeconômica; formação profissional; acesso à informação técnico-científica; mercado de trabalho; satisfação no trabalho e relacionamento; e participação sociopolítica. “Há um sentimento de invisibilidade, desgaste, estresse. Apenas 29% dos profissionais têm algum tipo de proteção no ambiente de trabalho contra a violência. É uma queixa forte e presente na fala deles”, afirmou a coordenadora.
 
Perfil da Enfermagem traçou conceitos que dizem respeito à “subjornada de trabalho” e ao “subsalário” – condições que acarretam a situação de subemprego na profissão. “A subjornada é entendida como a soma de horas trabalhadas pelos enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem em suas atividades profissionais que é igual ou inferior a 20 horas semanais. Outro conceito, que é o de subsalário, refere-se à situações em que o profissional, seja enfermeiro, técnico ou auxiliar percebe renda mensal igual ou inferior a 1.000 reais. A consequência disso traz a noção de subemprego, entendendo que o profissional nessa situação trabalha sem regularidade ou durante poucas horas por semana (subjornadas), ou ainda recebe valores salariais muito aquém (subsalário) do que é devido pelas suas funções estabelecidas pelo mercado de trabalho”, explicou a coordenadora.
 
Diante de tais condições, a pesquisa alerta para o fato de terem sido detectados em torno de 50 mil profissionais (3,2%) em situação de “subjornada de trabalho”, trabalhando igual ou menos de 20 horas semanais, considerando, como dito acima, todas as suas atividades no âmbito da enfermagem. É possível observar mais de 26 mil que declaram ter jornadas semanais que somam menos de 10 horas, ou seja, 1,7% do total do contingente. “Essa ‘subjornada’ encontrada na pesquisa pode ser associada a situação de atividade ‘bico’, no qual o profissional trabalha, quando há oportunidade, na modalidade por hora trabalhada, seja na assistência ou em outras áreas da enfermagem. Nesses casos, não há configuração de um emprego formal”, revelou.
 
No quesito renda mensal, de todos os empregos e atividades que a equipe de enfermagem exerce, constata-se que 1,8% de profissionais na equipe (em torno de 27 mil pessoas) recebem menos de um salário-mínimo por mês. A pesquisa encontra um elevado percentual de pessoas (16,8%) que declararam ter renda total mensal de até R$ 1.000. Dos profissionais da enfermagem, a maioria (63%) tem apenas uma atividade/trabalho. Maria Helena detalhou os setores que praticam os piores salários. “Os quatro grandes setores de empregabilidade da enfermagem (público, privado, filantrópico e ensino) apresentam subsalários. O privado (21,4%) e o filantrópico (21,5%) são os que mais praticam salários com valores de até R$ 1.000. Em ambos, os vencimentos de mais da metade do contingente lá empregado não passa de R$ 2 mil”.
 
Outra situação preocupante refere-se à percepção da equipe de enfermagem em relação à população usuária (seus pacientes), no qual, menos da metade (46,6%) recebe tratamento cordial e respeitoso daqueles que são atendidos por eles. Ainda segundo o estudo, essa percepção negativa é reforçada quando 37,8% indicam que somente “às vezes” e 4,9% afirmam não receber, o que significa que quase metade destes profissionais (42,7%) não se sente bem tratado e respeitado pelos pacientes e/ou familiares usuários do sistema de saúde.
 
Dificuldade de encontrar emprego foi relatada por 65,9% dos profissionais de enfermagem. A área já apresenta situação de desemprego aberto, com 10,1% dos profissionais entrevistados relatando situações de desemprego nos últimos 12 meses.

Fonte: ENSP/Fiocruz
 

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